Lifelong learning: por que a transformação digital demanda isso?

lifelong learning

O Lifelong Learning é condição básica para acompanhar a transformação digital que vem evoluindo a passos largos. Em um contexto corporativo, estar preparado para lidar com as mudanças nos processos devido à chegada constante de novas tecnologias se tornou indispensável para quem quer atuar no mercado. Uma coisa é certa: a maioria dos profissionais — independentemente da qualificação acadêmica — está desatualizado no contexto atual.

Diante desse cenário, só resta a certeza de que a educação por apenas parte da vida, profissionalmente falando, não leva ninguém a evoluir na carreira. A atualização precisa ser constante, acompanhando o mesmo ritmo da transformação digital. É justamente aqui que entra o conceito de Lifelong Learning, sobre o qual falaremos ao longo deste post!

O que é Lifelong Learning?

Em português, o conceito de Lifelong Learning pode ser traduzido como “aprendizagem ao longo da vida“, termo usado para a educação realizada além das escolas e universidades. Entre os seus princípios estão o fato de que ela deve ser voluntária em vez de obrigatória, ou seja, motivada pela própria pessoa, com o objetivo de se aprimorar pessoal ou profissionalmente.

O Lifelong Learner (eterno aprendiz, numa tradução literal), está sempre buscando novas experiências e aprendizados, além do modelo formal de educação, dirigido aos conhecimentos que interessam para atingir um objetivo.

Mas, como isso pode ser relacionado às empresas e à transformação digital? Esses assuntos se conectam no sentido de que a única maneira de um profissional estar devidamente preparado para enfrentar os desafios constantes e imprevisíveis da revolução digital é que ele veja a aprendizagem não como uma tarefa que segue uma linha pré-determinada — “primeiro faço a graduação, depois, uma pós-graduação e assim estarei pronto para suprir as demandas do mercado” —, mas, sim, como um projeto de vida que não tem prazo para acabar.

Qual é a relação entre esse conceito e o ambiente organizacional?

Antes de partirmos para esse assunto, é importante destacar que, até alguns anos atrás (não é preciso ir muito longe), a vida profissional ainda era algo linear. Ou seja, as pessoas nasciam, estudavam na escola, cursavam uma universidade, talvez se especializassem em algo posteriormente e, assim, viviam em uma vida estável, sem a necessidade de lidar com mudanças ou adaptações em seu cotidiano de trabalho.

Hoje, com a transformação digital, essa trajetória passou a ser não-linear, marcada pela imprevisibilidade, pela multidisciplinaridade e pela integração. À medida que os ambientes de trabalho absorvem esses fatores, além das mudanças em seus processos com o advento da tecnologia, os empregadores percebem que as qualificações formais não são as únicas formas de avaliar se um profissional está ou não apto a ser contratado ou promovido.

Na realidade, empresas como Apple, Google e IBM deixaram de exigir formação acadêmica. Ou melhor, as habilidades e a experiência quando estão aderentes a um cargo, superam o diploma universitário.

Isso começa a acontecer porque o ensino tradicional está ultrapassado e também precisa se reinventar. De acordo com Kelly Palmer, 92% dos CEOS preocupam-se que seus colaboradores não tenham as habilidades de que precisam; 6,7 mil postos de trabalho estão disponíveis, mas não há pessoas com habilidades para ocupá-los, e 65% das crianças de hoje terão trabalhos que ainda não existem.

O que fazer diante disso? Inevitavelmente os cursos de curta duração, conteúdos pagos, outros gratuitos, são fontes fundamentais para manter-se atualizado, levando em consideração que em 3 anos muitas competências adquiridas já estarão completamente ultrapassadas. Segundo Randall Stephenson, CEO da AT&T “é necessário adquirir novas ferramentas e não parar de aprender. As pessoas que não aprendem sozinhas pelo menos 5-10 horas por semana, se tornarão obsoletas com relação à tecnologia.”

O desenvolvimento de habilidades chamadas de soft skillsou competências sócio-emocionais — como curiosidade, empatia, proatividade, criatividade são, cada vez mais, requeridas nesse ambiente de mudanças. Essas habilidades somadas às hard skills — competências técnicas associadas às novas tecnologias — geram diferenciação.

Os colaboradores que praticam o Lifelong Learning, evoluem continuamente suas habilidades e competências, têm mais facilidade em utilizar as novas tecnologias do ambiente organizacional. Aumentam a produtividade, fazem entregas de melhor qualidade, abrem a mente para novas ideias e contribuem mais nos trabalhos e na resolução de problemas organizacionais.

Como promover o Lifelong Learning no meio corporativo?

Como dissemos, o Lifelong Learning no meio corporativo é algo indispensável. Quando essa iniciativa não parte do próprio funcionário, pode ser que tudo o que estava faltando para ele era um empurrão para trilhar esse caminho de maneira intuitiva. A seguir, citaremos algumas das principais ações que uma empresa pode adotar para trazer a aprendizagem como uma jornada de experiências cotidianas na vida do colaborador.

Estabeleça objetivos claros de aprendizagem

Quais os aprendizados são essenciais para a companhia atingir seus objetivos? Quais aprendizados e habilidades as pessoas têm em sua vida pessoal e como eles podem ser transferidos para o ambiente organizacional? Estabeleça um plano que privilegie a aprendizagem contínua na organização.

Transforme os erros em oportunidades de aprendizagem

A prática de aprender com os erros é uma das principais habilidades que uma empresa pode ensinar a um colaborador e também uma fonte inesgotável de empoderamento do indivíduo. O erro ensina resiliência, coragem, persistência, humildade, novas maneiras de fazer e desenvolve um mindset de crescimento.

Incentive a responsabilidade pela autoaprendizagem

Evidencie para os colaboradores os ganhos da autoaprendizagem por meio de incentivos internos e reconhecimento. Como esse profissional se destacará dos demais na organização? Que oportunidades podem ser aproveitadas por ele ao desenvolver-se continuamente em temas que contribuem com a empresa?

Implemente novas ferramentas de aprendizagem

Como seus colaboradores aprendem? Discussões e debates em grupo, ouvindo podcasts, assistindo vídeos, participando de jogos e desafios? Disponibilizar várias formas de aprendizagem e materiais de desenvolvimento, promover reuniões, encontros sobre o tema são exemplos para contribuir com o aprendizado contínuo.

Transforme colaboradores em instrutores ou mentores

Deseja aumentar significativamente a habilidade de alguém? Dê a responsabilidade de ensinar. Proporcione meios dos colaboradores transmitirem a sua experiência ou conhecimentos sobre algo a outras pessoas.

Conecte profissionais e coaches

Programas de coaching são uma ótima forma de encorajar os colaboradores a se tornarem Lifelong Learners, sendo assim, é interessante optar por uma empresa especializada nesse tipo de solução e trazer essa abordagem para dentro da organização;

Aposte no desenvolvimento dos times

Times coesos aprendem a aprender juntos. Uma verdadeira equipe cria um processo de aprendizagem para conseguir atingir as metas organizacionais.

O CEO da Unilever, Paul Polman, disse: “a Unilever redefine a sua equipe de acordo com seu portfólio. Em qualquer cargo na empresa, inclusive o meu, você precisa trabalhar duro para aprender novas habilidades todos os dias”. E você o que está fazendo para aprender no dia a dia? Veja as dicas a seguir.

Como tornar-se um Lifelong Learner – um eterno aprendiz?

  1. identifique seu estilo de aprendizagem e use-o ao máximo: não gosta de ler? Assista vídeos educativos, como TED;
  2. identifique seus talentos e interesses: para transformar a aprendizagem em um processo prazeroso e não em um sacrifício, é preciso que a habilidade, de alguma forma, esteja relacionada a algum dos seus talentos naturais ou, ainda, use intencionalmente um talento seu para aprender;
  3. desafie-se a viver experiências que nunca experimentou ou até já fez há muitos anos e não se identificou: isso abre a sua mente para a flexibilidade e novas perspectivas;
  4. conscientize-se de que o aprendizado é uma jornada de exploração, descobertas e oportunidades, jamais uma tarefa ou obrigação. Encontre o porquê — uma razão que o faça entender, conectar e contribuir além do que já faz hoje;
  5. faça um processo de coaching com um par ou colega de trabalho ou contrate um coach profissional para desafiá-lo.

Benefícios em adotar o Lifelong Learning

Como foi possível perceber, o Lifelong Learning refere-se nada mais nada menos que a busca contínua pelo aprimoramento, e não entender esse conceito significa estar sempre um passo atrás da concorrência, tanto para os profissionais, quanto para as próprias organizações.

As empresas que incentivam o Lifelong Learning desenvolvem uma cultura de aprendizado que contribui para o crescimento e sustentabilidade da empresa. Os colaboradores não só estarão devidamente preparados para exercerem suas funções, como serão capazes de se adaptar à transformação digital, lidar com mudanças de forma positiva, agir proativamente frente a resolução de problemas e tomar decisões mais acertadas.

Com o desenvolvimento constante de habilidades, os times de trabalho tornam-se mais fortes, promovendo o crescimento da empresa.

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Lília Barbosa & Creoncedes Sampaio

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Referências bibliográficas:

https://www.efrontlearning.com/blog/2018/07/ways-encourage-lifelong-learning-for-employees.html

http://etale.org/main/2015/04/06/5-whys-for-lifelong-learning-the-role-of-learning-organizations/

https://educacao.estadao.com.br/blogs/ana-maria-diniz/lifelong-learning-aprendizado-ao-longo-da-vida/

https://www.reed.co.uk/career-advice/what-is-lifelong-learning

 


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