Transformação digital nas empresas: comportamento ou tecnologia?

A transformação digital nas empresas é um fato e isso ninguém pode negar. Também não é nenhuma novidade que as organizações que não investirem em recursos tecnológicos serão ultrapassadas pelas concorrentes, uma vez que terão mais gastos e produzirão com menos qualidade e produtividade que as outras companhias. A reflexão que propomos aqui é outra. Será que a transformação digital nas empresas representa apenas a inserção de novas tecnologias nas organizações ou toda uma mudança de comportamento e da cultura organizacional? Acertou quem apostou na segunda opção. Mais do que trazer novos softwares e hardwares para as companhias, a transformação digital necessita ser acompanhada de uma mudança de comportamento, principalmente quando falamos em empresas mais tradicionais e que já estão há anos no mercado. A seguir, vamos apresentar e discutir algumas afirmações que justificam essa realidade.

A tecnologia 

É preciso que os gestores das empresas tenham em mente que a tecnologia é apenas meio para que as atividades sejam realizadas. Imagine, por exemplo, um consultório médico. Nesse tipo de estabelecimento, as secretárias necessitam fazer o agendamento das consultas dos pacientes. Se elas usam uma agenda de papel ou uma plataforma digital para isso, é indiferente para o consumidor desse serviço. O que essa pessoa quer é ser bem atendida, independentemente da forma como isso será feito. Logo, se o gestor da clínica médica implementar uma ferramenta digital para o agendamento de consultas e não proporcionar um treinamento para as secretárias, é bem provável que isso traga mais problemas do que soluções para o estabelecimento.

A experiência com a tecnologia 

Muitas empresas pecam por investir somente em tecnologia, como se esse investimento fosse suficiente. Sem objetivos claros por trás da escolha das novas ferramentas e recursos e, principalmente, sem um plano de voo de como viabilizar a implementação com sucesso,  o investimento pode escorrer pelo ralo. A ideia da transformação digital nas empresas é que seja feito um estudo minucioso dos processos internos da companhia. No decorrer dessa análise, devem ser listadas as necessidades de mudanças, aí sim, identificadas as soluções tecnológicas para supri-las.

Inserir novas tecnologias nas empresas é suficiente?

Lembra do exemplo da nossa secretária de consultório médico e a agenda eletrônica? É o que acontece aqui. Não basta apenas gastar com novos recursos tecnológicos, sem que antes disso haja todo um preparo, no que se refere aos recursos humanos da organização. É claro que os profissionais das gerações Y e Z, que já nasceram ou cresceram em meio ao “boom” das ferramentas tecnológicas, têm mais facilidade em aprender a lidar com um software do que os profissionais mais veteranos, mas isso não quer dizer que eles não necessitem de treinamentos especializados.

Preparação dos funcionários diante da transformação digital nas empresas

A pesquisadora Martha Gabriel trabalha com um conceito de cibridismo, termo que une as palavras “ciber” e “hibridismo”. Para ela, isso significa que hoje vivemos em um universo híbrido, que não se divide mais em real e virtual. As experiências que alguém tem na internet são tão relevantes quanto as do mundo físico. E, no mercado de trabalho, isso dá margem para novas relações profissionais. É cada vez maior o número de empresas que se tornam descentralizadas, com os trabalhadores executando as suas atividades em regime de home office, por exemplo. Prova disso é a recente reforma trabalhista implementada em nosso país, que regulamenta o trabalho remoto. Mas será que todos os funcionários estão prontos para isso? Trabalhar em casa exige muito mais disciplina do que em um escritório. Além do mais, é preciso ter cuidado para que as distrações da internet não prejudiquem o bom andamento das atividades laborais. Para que esses percalços não aconteçam, é necessário haver uma preparação dos funcionários diante das transformações.

A mudança de comportamento dos funcionários 

A transformação digital nas empresas faz com que os trabalhos se tornem cada vez mais estratégicos e menos operacionais. Ao ser requerida mais análise do que operação, será necessário desenvolver a capacidade de análise e tomada de decisão dos colaboradores, em todos os níveis. Essa realidade também exige que as empresas se tornem mais inovadoras,  a partir da  cocriação de seus colaboradores. Na abordagem de inovação, os  profissionais numa empresa devem ter o pensamento de designer para solucionar problemas, lidar com informações e propor soluções e iniciativas inovadoras para a companhia. Por outra lado, as pessoas precisam ser preparadas para trabalhar em times, mais autônomos e multidisciplinares, o que difere largamente da natureza do trabalho verticalizado numa única área. Outro aspecto: como criar um ambiente de pessoas com pensamento crítico, inovadoras, criativas, colaborativas, se continuamos a geri-las como base nos gaps – a escassez das competências?  Será preciso  mudar a lógica da gestão de pessoas para a abundância dos talentos humanos. E, a partir deles, construir um plano de desenvolvimento que favoreça transformar o potencial em forças e resultados visíveis na companhia. Essas abordagens causam uma mudança profunda na cultura organizacional. As estratégias, as interações entre líderes e liderados, o formato dos times de trabalho, os processos de desenvolvimento e o direcionamento dos subsistemas de RH devem ser repensados. O que temos hoje, na maioria das organizações, não contribui, de forma efetiva, para realizar a transformação digital. Nesse ambiente digital, as pessoas serão pagas mais para pensar do que para operacionalizar. Como você está preparando as pessoas para aumentar a capacidade de raciocínio, desenvolver a habilidade de trabalhar em equipe e aportar toda a sua criatividade e inovação na empresa?

O que realmente importa?

De acordo com a CIO Digital Magazine, a transformação digital das empresas é o maior desafio no gerenciamento de mudanças. Ela impacta nas estruturas do setor, no posicionamento estratégico e afeta também todos os níveis da organização (tarefas, atividades, processo). Os líderes de negócios precisam desafiar constantemente suas organizações para garantir que essa mudança possa gerar ganhos de produtividade e vantagem competitiva significativa, ao mesmo tempo em que proporciona uma experiência memorável ao cliente. A premissa básica, quando falamos em transformação digital nas empresas, é que antes de implementar qualquer novo recurso ou ferramenta tecnológica, é preciso analisar sobre como ela impactará na organização. Será que os funcionários saberão utilizar a nova tecnologia ou é necessário fazer um treinamento? E se for necessário realocar funções? O atendimento por meio de robôs de inteligência artificial nas redes sociais e aplicativos para troca de mensagens diminuiu significativamente o número de atendentes nos call centers, por exemplo. Esses colaboradores, em muitos casos, deveriam ser treinados para exercer uma nova função. Todas essas questões precisam ser avaliadas antes de realizar qualquer mudança. O que estamos querendo dizer não é que as ferramentas tecnológicas não devem ser implementadas. Pelo contrário, elas são fundamentais para manter uma empresa competitiva. No entanto, sozinhas, sem o desenvolvimento das pessoas, elas não têm o resultado esperado. Pelo contrário, poderão ser uma fonte de despesa. Em resumo, podemos dizer que é necessário pensar no digital para garantir o sucesso de uma empresa, porém sempre será  preciso antever os impactos que as tecnologias causarão nas pessoas. Será que elas estão conscientes da importância da nova tecnologia? será que elas entendem “o porque” devem adotar a nova tecnologia? elas sabem o que devem fazer diferente? Notem que respostas diferentes gerarão estratégias distintas de como conduzir essa mudança. Este artigo pareceu interessante para você? É sem dúvida uma novidade que causa reflexão em muitas pessoas, não é mesmo? Então compartilhe em suas redes sociais para que os seus contatos também possam refletir sobre o assunto!   Lília Barbosa & Creoncedes Sampaio [email protected]/[email protected]

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