O Reset da Liderança

o reset do liderança

Nunca foi fácil liderar, mas agora os desafios são enormes, veja algumas evidências irrefutáveis que reforçam a necessidade do reset da liderança:

  • Declínio da percepção do bem-estar. Observe a queda nos dois últimos anos, na imagem abaixo, publicada pela Gallup:
  • Os níveis de engajamento da força de trabalho ainda representa um desafio, principalmente após a pandemia. Na última leitura sobre engajamento feito nos EUA, pela Gallup, mostrou que, após uma década, a porcentagem de trabalhadores engajados caiu de 36% para 34% e o indicador de pessoas ativamente desengajadas cresceu de 14% para 16%;
  • Aumento do languishing – estado mental em que a pessoa não está depressiva, mas também não floresce – como se estivesse inerte à vida – Uma pesquisa realizada pela Ipsos, com 1014 norte-americanos acima de 18 anos, 21% relataram estar em languinshing;
  • Quase meio milhão de pedidos de demissão voluntárias por mês, contabilizadas nos últimos meses de 2021, dados publicados na Revista Você S.A;
  • Resultados comerciais positivos tem sido mais difíceis de serem alcançados, se comparado com anos anteriores;
  • Necessidade de reinvenção constante – viver na versão beta, não é algo fácil, para a maioria das pessoas.

As causas dos aspectos citados acima são inúmeras, mas uma coisa é certa, há contribuições infelizes das lideranças nas cinco primeiras, concorda? Por isso, o reset da liderança é tão importante.

Mudanças no estilo de liderar

A liderança precisa mudar, para ser possível conectar as pessoas nesses novos tempos. Portanto, não é mais novidade que a faixa etária abaixo dos 30 anos se recusa a viver a vida dos Baby Boomers – profissionais que se acostumaram a abrir mão da sua vida pessoal para se dedicarem ao trabalho. 

Diante disso e da necessidade de reinvenção organizacional, a nova geração precisa de um líder capaz de realizar conversas contínuas, e de uma escuta ativa, para liberar suas ansiedades e medos, em lugar de um líder “cobrador” de metas e processos.

Por outro lado, o bate-papo não invalida o gerenciamento ativo, muito pelo contrário. Comprovadamente, a escuta humana e empática não substitui a necessidade de acompanhamento sistemático das entregas, feedbacks corretivos e alinhamento de valores. No entanto, será que as lideranças sabem como fazer isso ou ficam confusos entre os paradoxos “acolher” e “cobrar”? Esse é mais um motivo para o reset da liderança.

Quem está acima de 30 anos anseia por uma vida mais equilibrada. O preço de não se cuidar (praticar uma atividade física, alimentar-se saudavelmente, nas horas certas, não impor os limites para desligar-se do trabalho) é muito alto. Mas, foi a pandemia que abriu os nossos olhos para o questionamento: “o que estou fazendo da minha vida”?

A partir disso, não importa a faixa etária, de alguma forma, muitos buscam dar um sentido à sua existência, em busca de bem-estar e também para não fazer parte das estatísticas de burnout e depressãoque crescem assustadoramente. Entretanto, como cuidar do outro, no papel de líder, quando você, que lidera, também está precisando de ajuda? Esta é mais uma dicotomia dos dias atuais que exige do reset da liderança, e a resposta parece óbvia, porém, não é tão simples para aqueles vivem esse processo.

O líder precisa aprender a liderar transformações em um ambiente desfavorável – isso exige o reset da liderança. Por que reset? Porque o ambiente é permeado por mudanças intensas e rápidas, tanto no contexto econômico, como nos modelos de negócio e de trabalho, nas tecnologias e no estilo de vida. Tudo isso, é o oposto de um ambiente razoavelmente “normal” que vivíamos alguns anos antes da pandemia.

Assim, os métodos, soluções e comportamentos que eram eficazes no passado, não funcionam mais. Parece clichê? Eu também acho, mas muitos líderes ainda continuam a liderar da mesma forma que sempre fizeram…

Transições necessárias da Liderança

Diante dessa perspectiva, os líderes precisam reaprender a liderar. Em outras palavras, adotar uma liderança transformadora, capaz de navegar nas questões abaixo:

  • Da manutenção do estado atual para a transformação do modelo de gestão;
  • Da liderança para muitos, para um líder capaz de realizar interações totalmente personalizadas e one-one.
  • Das estratégias centradas na alta gestão, para estratégias distribuídas para todas as equipes, em todos os níveis organizacionais;
  • Do lucro a qualquer preço, pelo lucro que beneficia todos os stakeholders na bandeira ESG (Environment, Social, Governance);
  • Dos pesados sistemas transacionais, para plataformas simples, intuitivas e centradas na necessidade do negócio e do usuário;
  • Da visão limitada de áreas, para uma perspectiva estratégica, voltada para a geração de valor em toda a cadeia, ponta a ponta;
  • De pessoas excepcionais em suas área de atuação, difíceis de realizarem um trabalho colaborativo, para pessoas comuns e talentosas que sabem colaborar e construir times excepcionais;
  • Do modelo baseado em atividades para o modelo centrado nas entregas;
  • Do trabalho presencial para um trabalho híbrido ou totalmente remoto;
  • Do olhar para o cargo e atribuições, para a capacidade de descortinar a pessoa, seus anseios, perspectivas e sonhos;
  • Da tendência em fazer escolhas diante de opções contraditórias, para a habilidade de navegar nos paradoxos, tanto pessoais, como organizacionais;
  • Do foco excessivo em resultados de curto prazo, para uma estratégia que permeia o curto, médio e longo prazos, garantindo a sobrevivência organizacional hoje e no futuro;
  • Da delegação de problemas relacionados às pessoas aos HR Business Partners ou Profissionais de Gente, para assumir o papel de líder da equipe em todos os âmbitos;
  • Da cobrança da área de Gente quanto à transformação cultural, para ser o exemplo da cultura que tanto almeja e cobra, em cada interação com os liderados, pares e todos os stakeholders;
  • Da ênfase apenas em eficiência operacional para o foco em inovação, sem perder de vista a eficiência;
  • Do líder que diz “o que as pessoas devem fazer”, para o líder que “acredita que seus liderados podem ter respostas melhores do que as dele”. Por isso, “exercita mais perguntas” para desafiar os outros a pensarem, realizarem e construírem um repertório de sucesso;
  • Da crença “a vida pessoal não deve se confundir com o trabalho corporativo”, para a verdade de que a vida pessoal de um colaborador ou de um líder, é tão importante quanto o trabalho que ele exerce. Ou seja, ambos são afetados, numa simbiose, para o bem ou para o mal.

Enfim, o reset da liderança não é apenas importante no contexto de aprendizagem dos novos tempos, é uma questão de sobrevivência organizacional a médio e longo prazos. Gerar resultado a qualquer preço é fácil, mas todos perdem e os supostos ganhos, de curto prazo, não são sustentáveis. Ao mesmo tempo, as transições que a liderança precisa fazer para alcançar os resultados positivos, da forma correta, são incontáveis. A lista acima é apenas o início, e aposto que você já pensou em alguma que não contemplei. Que tal colaborar e compartilhar o que pensou?

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Lília Barbosa

CEO Cozex Tech e Sócia da Cozex

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