O que é ser um Líder Coach?

Ser um líder coach é mais do que apenas fazer uma formação em coaching, muito mais do que apenas desenvolver competências de liderança, é preciso também entender sobre as melhores práticas de gestão.

Comportamentos de liderança

A busca de resultados positivos a qualquer preço leva a comportamentos que destróem a coesão cultural, o trabalho em time e a sustentabilidade da empresa. Há blocos comportamentais de liderança que estão associados a redução de turnover, coesão cultural, aumento das vendas, engajamento e lucratividade. Não significa ser um líder coach queridinho de todos, não é nada disso, mas ser um líder que mostra congruência em suas ações. Faz o que cobra às pessoas. Um líder coach que ensina e ao mesmo tempo desafia. Exerce a influência pela capacidade de conectar as pessoas às metas e não por ordens e comandos.

O líder coach é  uma liderança que sabe valorizar o que cada liderado tem de melhor: forças, virtudes e talentos. Está muito além de dar feedbacks assertivos e saber delegar adequadamente. São vários comportamentos e práticas diárias “aparentemente simples” que geram credibilidade e confiança ao ambiente de trabalho. Infelizmente, esse alinhamento comportamental ainda está  distante da maioria dos líderes, que pensam  que treinar as habilidades de liderança é algo importante sim, mas apenas para os liderados…

Já existem vários estudos que comprovam a correlação entre competência de liderança e a sua efetividade:

Em um dos trabalhos, Folkman, por exemplo, conseguiu uma correlação da competência de liderança e o lucro líquido. Ele trabalhou com uma empresa da Fortune 500 e ao avaliar as competências de cada líder das filiais da empresa, conseguiu encontrar  a correlação entre as competências desses líderes com o resultado que  geravam na filial.  Os números chamam realmente muita atenção. Ele dividiu os líderes em três grandes grupos: os líderes piores avaliados em suas competências, os líderes medianamente avaliados e os líderes extraordinariamente avaliados. Ele identificou a correlação de cada grupo com os resultados líquidos que eles geravam: Os 10% piores avaliados geraram 1,2 milhões de prejuízo para a empresa, os medianamente avaliados geraram 2,4 milhões de lucro e os extraordinariamente avaliados geraram 4,5 milhões de lucro. Literalmente, os líderes extraordinários conseguiram dobrar os resultados dos bons líderes. O que podemos concluir? Há uma linha de tendência de que  bons líderes geram bons resultados e existe um percentual mínimo, geralmente alcançado: 20% a mais de lucro líquido. Imagine aumentar a lucratividade da sua empresa em, no mínimo, 20%,  a partir do desenvolvimento dos comportamentos de liderança?

Habilidades de Coaching:  

É desenvolver  a habilidade de fazer perguntas. Obviamente não é qualquer pergunta, são questionamentos feitos dentro de uma construção correta: sem julgamentos, orientadas ao futuro, sem direcionamentos, com desejo genuíno de contribuição e focadas mais na solução do que ao problema. Há estruturas corretas de perguntas para desafiar, conhecer e levar as pessoas à reflexão e à ação. Quando o líder se apropria das técnicas e ferramentas que envolvem o processo de coaching potencializa os seus resultados por uma razão óbvia:  ninguém mais quer ser mandado. Como falamos no artigo da semana passada, “Desenvolver Forças ou Vencer as Fraquezas?”, os colaboradores mudaram, assim como mudaram nossos clientes. Os liderados não são mais como aqueles de 20 anos atrás, que se matavam de trabalhar e não conseguiam ver seus filhos crescerem,  viviam sem qualidade de vida, e mesmo assim, passavam anos numa mesma empresa.

Hoje, a duração de um funcionário em uma organização é, em média de 3 a 5 anos. Durante esse tempo, é preciso engajar esse colaborador para fazer contribuições relevantes enquanto estiver na empresa. Ou você segue por esse caminho ou permanece com ele sendo uma fonte de despesa. É uma questão de escolha.

Habilidades de gestão:

Eu e o Sampaio passamos bons anos da nossa carreira em multinacionais. Eu,  como Gerente de Consultoria da Deloitte. O Sampaio, como executivo na  Danone, Gerdau, Unilever…Depois na nossa empresa Cozex, com acesso a diversas empresas de segmentos e tamanhos diferentes, enfim… Ao longo de 23 anos no ambiente corporativo evidenciamos que poucos gestores praticam a gestão de fato. Talvez isso aconteça por ser o lado “azedo da organização”.

Controlar, medir, acompanhar, planejar, racionalizar processos realmente não é algo inspirador para boa parte dos líderes. Porém, é extremamente necessário para a saúde e sobrevivência da organização. Os controles existem, a mensuração de resultados existe, os planejamentos são feitos. Sobretudo, se estamos falando de médias e grandes empresas. O que falta? gerir tudo isso com acompanhamentos sistemáticos.

Gestão é uma uma rotina de práticas para alcance de metas organizacionais. Rotina significa sequência, requer um método diário. Gestão não é algo que se faça anualmente, semestralmente ou mensalmente, é diário…Para  a gestão funcionar é preciso disciplina para medir, analisar, tomar decisão, acompanhar, medir de novo, analisar e assim sucessivamente.

Boa parte dos gestores não têm a disciplina e paciência para fazer isso, todos os dias. Por isso, as lideranças  têm a tendência de  falhar na gestão e deixar escapar muitas oportunidades de redução de desperdícios, despesas, custos  e também de aumentar as vendas e a lucratividade. Se as médias e grandes empresas sofrem dessa falta de efetividade na gestão, imagine as pequenas empresas… o quanto precisam avançar nesse item. 

Enfim, o coaching sozinho está longe de ser a salvação de qualquer coisa. Portanto, fazer uma formação em coaching sem uma base profunda de comportamentos de liderança não vai adiantar muita coisa, em termos práticos, para geração de resultados organizacionais. Embora, a  sua vida e os seus relacionamentos  com as pessoas, de forma geral, melhorem significativamente, se  você aplicar o que aprendeu. Isso de alguma forma impactará em resultados melhores, mas o coaching não é mágica. E se a mágica existisse, ela estaria representada pela suas ações. Nós podemos falar isso sem receio de errar, porque formamos coaches há 8 anos e utilizamos o processo em nosso trabalho e na vida.

Por outro lado, para entender e praticar com eficácia os comportamentos de liderança de alto desempenho requer, além do coaching, o entendimento das práticas de gestão. O que uma coisa tem a ver com outra?

  1. A empresa não sobrevive sem resultados positivos. Para atingir um resultado diferente e melhor, será preciso mudar algo nos processos e/ou nas pessoas.
  2. Mudar, em algumas empresas, pode até ser fácil, o difícil é sustentar a mudança. A sustentação da mudança requer gestão.
  3. Para sobreviver no ambiente competitivo há  a necessidade de mudar continuamente e não apenas quando alguém tem uma ideia esporádica.  A partir de uma gestão efetiva, as pessoas seguirão um método que garanta um padrão contínuo e ininterrupto de descobertas, experimentações  e aprendizagem. O exercício da liderança, o processo de coaching e a gestão são, na essência, um processo de aprendizagem
  4. No artigo “A sua Liderança Está Ultrapassada?” revelamos os seguintes dados da Mckinsey & Company 63% das mudanças empresariais requerem mudanças comportamentais. Sem o comportamento de liderança adequado, a gestão não passa de um pacote bonito, muito bem embalado, exposto para todos observarem que a sua empresa tem gestão…e na prática, sem utilização real que traga benefícios sustentáveis à organização.

A sua preparação somada aos resultados obtidos mostrarão o quanto  você é um líder coach e se usa com maestria as habilidades de liderança, gestão e coaching.

Até o próximo artigo! 

Um abraço!

Lília Barbosa e Creoncedes Sampaio

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