O que é Liderança Disruptiva?

A Liderança disruptiva age de forma bem diferente da liderança tradicional.  Todos sabem que a liderança, independentemente se ser tradicional ou não,  está atrelada ao sucesso  ou fracasso de uma equipe e de um negócio. Líderes ocupam posições de destaques, comandam pessoas e levam times e o que eles representam ao crescimento ou estagnação. E qual o papel dos líderes nos tempos atuais?

Vivemos em época de entregas feitas por drones, do uso da inteligência artificial que substitui, em alguns casos, a análise humana e de carros inteligentes. Sem perceber, estamos em meio um conjunto de dados enorme, com necessidade de velocidade e confiabilidade, numa variedade assustadora de informações – Big data –  e a  internet das coisas  – a conexão global de objetos inteligentes – que conecta objetos, roupas , tênis, eletrodomésticos de uso pessoal e seus respectivos usuários à Internet.  

Passamos a maior parte de nossos dias conectados a pessoas, marcas e ao mundo todo. Coisas que pareciam irreais há poucos anos já são indispensáveis para nossa vida cotidiana. Estamos no maior ponto de inflexão de nossa história, onde as mudanças serão estruturais e disruptivas, numa velocidade jamais vista.

Líderes e profissionais  de todas as áreas precisam estar atentos  à transformação que começa a acontecer no mundo inteiro.  Não pensem  que o Brasil estará fora desse turbilhão por muito tempo.  Atualize-se, para não ficar paras trás e perder as conquistas que teve até agora.

Uma liderança disruptiva  é  guiar pessoas e negócios ao crescimento por meio de ações estratégicas, inteligentes e otimizadas. Como chegar lá? Como se comportam os líderes que realmente são disruptivos e qual o impacto disso nas organizações que eles comandam? É isso que vamos explorar neste artigo.

Disrupção: conhecendo o conceito preferido das empresas

Disrupção é uma palavra frequente em eventos de empreendedorismo, marketing, tecnologia e inovação. Disrupção significa, basicamente, tirar algo de seu estado normal, interromper um ciclo de normalidade. Em outras palavras, é fazer diferente.


A boa notícia é que a disrupção, mesmo que mencionada nos contextos acima, não precisa estar ligada necessariamente a avanços tecnológicos ou grandes quebras de paradigmas. Todos podemos ser disruptivos. Isso porque, na prática, trata-se de desenvolver algo novo, propor uma solução com base em um modelo inovador.

Em um cenário de mudança constante, como estamos inseridos, adaptar às mudanças e acompanhá-las é essencial. Quando não o fazemos, travamos nossa carreira. Esse, sem dúvida, é o beco sem saída no qual ninguém quer parar no mundo dos negócios. Quando falamos de líderes, de pessoas que se posicionam à frente de outras e ocupam lugares de destaque, ficar para trás é inaceitável.

Os modelos mudam o tempo todo – e precisamos acompanhar as mudanças

Tente fazer um exercício de memória. Liste algumas atitudes das pessoas e das empresas que são comuns hoje e sequer existiam há 10, 20 anos. A preocupação com a sustentabilidade, por exemplo, não era pauta há duas décadas. Inclusão social, combate a injustiças sociais, tolerância e direitos das minorias – nada disso era pauta forte nos anos 90. Isso sem contar na tecnologia, hoje tão amparada pela internet, que mudou a forma como trabalhamos, nos relacionamos e consumimos. 

Se o mundo passa por mudanças constantes no âmbito social, econômico e tecnológico, as empresas precisam acompanhar. E representando-as, é claro, estão os seus líderes. O líderes modernos precisam  fazer com que suas ações consigam refletir as mudanças que acontecem em todas as esferas da sociedade. Assim, surge a necessidade de propor novas formas de pensar e agir, sempre mais inteligentes, eficazes e otimizadas. A liderança disruptiva faz exatamente isso.

Uma boa notícia é que a liderança  disruptiva não precisa criar algo totalmente novo. E as pessoas consideram e valorizam isso. Em uma pesquisa realizada pela startup Opinion Box, os consumidores já deram o recado: 79% concordaram que inovação não precisa ser algo totalmente inesperado, mas sim algo que ajude ou melhore o dia-a-dia

Liderança disruptiva x liderança tradicional

Se você está na posição de liderança em uma organização, pare o que está fazendo e se pergunte: seu modelo de liderança está ultrapassado? Infelizmente, em boa parte dos casos, a resposta será sim.

O modelo de liderança tradicional e a liderança disruptiva são conceitos bem diferentes. Enquanto a liderança tradicional enfatiza os erros e fraquezas dos liderados,  busca o que falta nas pessoas e faz valer a autoridade sobre as equipes; a liderança disruptiva faz o inverso: olha para o futuro, constrói mudanças a partir dos talentos e acertos das pessoas. Ao fazer isso, cria uma cultura coesa,  equipes mais maduras e verdadeiramente engajadas com o futuro do negócio.

Otto Scharmer e Katrin Kaufer, ambos pesquisadores do MIT, dedicam toda uma obra sobre a liderança disruptiva tomando o futuro como referência. Na base do livro lançado pelos estudiosos, a mensagem é clara: o sistema de liderança tradicional, baseado no ego, já não funciona mais. De um sistema de ego, partimos para um ecossistema para a liderança funcionar. 

O mundo enfrenta mudanças negativas e somos vítimas das nossas próprias ações. O homem cai diante de sistemas que criou e que continuam falhando. E cabe aos líderes de agora fazer com que isso não aconteça mais. Conforme dizem os autores, é hora de aceitarmos os impactos do mundo à nossa volta, no presente, e começarmos a planejar uma liderança que absorva o que acontece no mundo e volte uma ação planejada para o futuro próximo.

Façamos, então, como Scharmer e Kaufer sugerem: vamos quebrar as amarras do modelo de liderança tradicional, parar de replicar  comportamentos e agir de forma nova. Chega de negar as mudanças, repetir padrões desnecessários e pensar da mesma forma que os outros pensavam, apenas porque é considerada a norma. Como líderes, é por aí que se começa a disrupção e a trazer melhorias individuais, para as empresas e para a sociedade como um todo.

Como ser um líder disruptivo: as principais dicas

Para o economista americano Otto Scharmer, a liderança disruptiva é responsável por antecipar o futuro. Sua abordagem nos negócios deve ser de previsão e de ação sempre voltada para o que está por vir. 

Na prática, isso pode estar mais próximo do que imaginamos. Algumas ações ajudam os líderes mais antenados a chegar lá e podem começar a praticar agora mesmo dentro das empresas. Confira algumas dicas para dar os primeiros passos a fim de se tornar um líder disruptivo:

1. Lidere a transformação individual: do eu para nós

De acordo com a teoria de Scharmer, a percepção do líder deve começar de seu interior para partir para uma abrangência maior, exterior.

A transformação individual que deve acontecer no líder deve ser, basicamente, uma mudança de modelo mental. Para caminhar até uma liderança disruptiva, o líder deve abrir sua mente e mudar sua forma de pensar. Isso precisa acontecer para que seja possível se tornar mais empático, aprimorar a capacidade de ouvir e, assim, absorver melhor o que acontece em volta e se preparar melhor para o futuro.

Para provocar a disrupção  os líderes estão sempre atrás de formas de construir e testar propostas de mudança junto com as equipes e fazer o possível para garantir o sucesso delas, responsabilizando-as pela construção conjunta do processo.

2. Lidere a transformação relacional: do ego para o eco

A mudança de um sistema de liderança baseado em ego para o eco também precisa acontecer para alcançar a disrupção enquanto líder. 

Pensar, agir e liderar segundo o ego significa prestar atenção em si mesmo. Quando o líder abraça o conceito de liderar para o eco, o que acontece é uma absorção de outros fatores, alheios a si mesmo, possibilitando focar no bem-estar de todos os envolvidos. Essa transformação muda o estilo de liderança de absorção para diálogo e coletividade.

3. Lidere a transformação Institucional

Ainda seguindo a proposta de liderança do futuro de Scharmer, após a mudança do líder de ego para eco, vem a transformação institucional. Ao alcançar o ponto em que o líder pensa de forma ampla, abrangente, e envolvendo os outros à sua volta, a instituição também precisa passar por essa transformação.

De centralizada a descentralizada, a instituição precisa romper modelos antiquados de estruturas de poder, perdendo a característica de competição para alcançar a co-criação.

4. Lidere o futuro emergente agora

Por fim, a magia da liderança disruptiva é  não esperar fazer acontecer. Faça a disrupção acontecer agora mesmo. Inspire pessoas em volta, é possível construir um ambiente melhor nos negócios e na sociedade agora mesmo. Se você está decidido a ser o agente da mudança e assumir on papel da liderança disruptiva não existe momento melhor do que o presente para começar a agir. Vamos lá?

5. Busque sempre resultados

Líderes disruptivos podem ser sonhadores e tendem a buscar um mundo melhor, muitas vezes longe de ser alcançado. Nem por isso, porém, eles devem trabalhar com subjetividade. A disrupção acontece, sempre, no campo da ação. Por isso, a liderança disruptiva sempre é orientada a resultados. É assim que os negócios crescem,  a partir de equipes que entregam resultados acima da média.

6. Seja a mudança

Um antigo dito popular nos indica o caminho de ser a mudança que desejamos que aconteça no mundo. Para as lideranças nas empresas, essa verdade também se aplica. Toda disrupção parte de alguém – e esse alguém pode ser você. Lembre-se que mudar o curso de qualquer ação, processo ou regra não é tarefa fácil, mas a mudança correta e justificada sempre terá espaço para acontecer. Basta que alguém assuma fazê-la.

Com todas as informações sobre liderança e disrupção que abordamos, você diria que se enquadra entre os líderes realmente disruptivos? Se sim, parabéns! Coloque a mão na massa. Se não, não se preocupe: continue revendo e seguindo as dicas que exploramos para aprimorar o trabalho e chegar lá.

 

Lília Barbosa & Creoncedes Sampaio

[email protected]/[email protected]

 

Referências: 

Kauffer, Katrin; Scharmer, Otto. Leading from The Emerging Future: From Ego-System to Eco-System Economies.

http://www.ottoscharmer.com/sites/default/files/e2e_ulab.pdf

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