Ser, Fazer, Ter e Prosperar

Muitas pessoas querem ter muitas coisas e passam a vida inteira em busca do ter. Dentre estas, algumas estabelecem muito bem metas e objetivos claros, mensuráveis e entram em ação. Procuram fazer as coisas acontecerem, abrir caminhos e oportunidades para que suas metas se concretizem. Muitas destas pessoas após inúmeros avanços, percebem que por mais conquistas que obtenham ainda parece que falta algo. Algo que não sabem o que é, apenas sentem incompletude.

A maioria não sabe estabelecer de forma concreta o que quer porque a busca frenética da sociedade é baseada no ter, no consumo a qualquer preço como fonte de satisfação, alegrias e poder. Isso confunde as pessoas que não sabem o que aspirar, pois muitos aspiram coisas que não tem sentido para elas.  Querer ter  é bom, não há nada de mal nisso, desde que este desejo seja alicerçado em uma vontade pessoal imbuída de um significado para a própria pessoa,  jamais para os outros. Ter para mostrar aos outros ou para sentir-se incluído em algum grupo, não parece tão saudável.

O ter é precedido pelo fazer. Muitas pessoas esquecem deste detalhe. Entram nas organizações, relacionamentos sociais ou amorosos em busca de obter algo, mesmo que esse “algo” seja nobre, primeiro é necessário plantar, para depois colher. Se é feita a coisa certa, mais cedo ou mais tarde, no tempo certo,  retornará a colheita. Esta é a regra da natureza.  Qual tem sido a sua contribuição genuína na empresa na qual trabalha? Nos seus relacionamentos familiares? Qual a sua doação concreta no seu ciclo de amizades? Contribuição transcende obrigação. É a sua doação, o “fazer” além do esperado, do programado e do pago. Indubitavelmente, ao fazer isso, os ganhos são incomensuráveis.

O fazer  é crucial para a evolução humana, seja pessoal ou profissional.  Nenhum aprendizado é de fato internalizado sem a experimentação do fazer. Realizar algo, que tenha um significado, independentemente de ser remunerado ou não, oportuniza se sentir em fluxo. A experiência de entrar em fluxo foi estudada pelo psicólogo austríaco Mihaly Csikszentmihalyi. Poucas pessoas verdadeiramente realizam e quando o fazem nem sempre estão entregues na simbiose perfeita entre a ação e o sujeito da ação. Onde ambos se conectam de tal forma que o tempo parece não existir. Onde há a utilização das forças na potência máxima. Esta entrega no ato do fazer é o  engajamento que torna o feito especial, o resultado extraordinário e surpreendente.

O ser antecede o fazer em todas as coisas da vida. É um antecessor para o indivíduo sentir-se pleno e completo. Há pessoas com estilo de execução muito forte. Diante de qualquer desafio, entram em ação com a força de trator que ara uma terra. Isso poderia ser maravilhoso, se a ação estivesse arraigada no ser. Eles movem tão bem todos os obstáculos dia após dia, noite após noite até estafarem aos outros e a si próprios. Depois, no silêncio interno, questionam se esta é a vida que tanto querem e, se esta é a vida que vale a pena ser vivida. O modo de operação  destas pessoas é o trabalho. E o trabalho é algo maravilhoso, mas a vida  é maior que o trabalho. O trabalho é uma das mais belas facetas que tece, dignifica e significa a vida. E a vida é  o ser. O ser é maior que todas as coisas, como disse Eckhart Tolle.

O ser acontece e existe apenas no momento presente. Cada minuto é a oportunidade de ser. Porém, boa parte das pessoas vive o hoje relembrando as lembranças do passado, boas ou ruins. Outra parte vive o futuro, os sonhos, na esperança de uma vida melhor ou na angústia de um futuro incerto. Poucos indivíduos vivem o agora, o momento presente, no estado de presença, em plena consciência de seu corpo, mente e espírito. No espaço de onipresença pessoal, única e indivisível está o ser. E é exatamente neste espaço onde é possível ser feliz, sem depender do fazer ou ter amanhã, sem depender das batalhas vencidas, sem depender das perdas inevitáveis da vida. Neste espaço, há completude.

Como é possível ser e prosperar? Viver o agora, usar todos os cinco sentidos possíveis no processo da conquista, no ato presente. Assim, independentemente de chegar lá ou não, o mecanismo de construir  o caminho, vivê-lo e senti-lo é algo surpreendentemente maravilhoso. O mais encantador de tudo é a descoberta da vida, no caminho. Parece que a vida flui e a prosperidade, tão desejada,  passa a fazer parte do hoje, não mais do futuro. A realização, tão esperada e sonhada, parece surgir todos os dias, como o sol que nasce diariamente. O sentimento de plenitude é sentido e respirado a cada minuto, independentemente de ser feliz ou  triste, porque até no desalento é preciso uma consciência maior dada pelo ser. E assim, cada  manhã cela a certeza interna, inabalável,  de que a vida vale a pena ser experienciada no dia a dia, tornando-a única nas dimensões do ser, fazer,  ter e prosperar, respectivamente, nesta ordem.

 

Lília Barbosa

Master Coach

Sócia diretora da Cozex

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